sexta-feira, 18 de dezembro de 2009


Já que o mês é propício ao aparecimento de doenças sem
explicação clínica coerente, seguirei clamando morte ao calor desgraçado. Os
anticorpos entram em recesso coletivo aos verões.


Já que estamos no tempo das lembranças sentimentais, continuarei a sentir falta
das coisinhas, e continuarei a observar as luzinhas que preenchem a cidade.

Em dezembro acontece algo cósmico e o vazio esvazia mais alguns centímetros cúbicos.


Deixarei as pendências todas para o ano que vem e celebrarei esses dias que
faltam com a resignação dos que se enganam facilmente. E eu não tenho plano
nenhum para o ano de dois mil e dez.


Mentira.


Tudo bem se no novo ano eu continuar orgulhosa demais, ciumenta demais, insone
demais e rindo das desgraças: desgraças são amigas e fazem rir.


Sinceramente, eu espero que continue tudo igual. E não menos sinceramente,
espero que tudo mude. Que venha o inusitado, o tal feliz ano novo que faz tanta
gente se juntar, sair por aí abraçando aleatoriamente e estourar fogos a cada
365 dias.


Então, é só isso. eu não vou falar dos meus planos, dos arrependimentos, do
amor, da política que é mesmo uma merda, e lá pelo meio de janeiro eu vou tar
pouco me fudendo se o seu ano vai ser próspero.


Olá, 2010. essa sou eu. - aliás, tente não trazer surpresas demais, certo? você
sabe como costumo não lidar bem com elas quando elas são muito grandes, então
só avise antes do baque. e fique tranqüilo, você será recebido com foguetes.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Mas eu fiz de tudo pra que você também visse. Visse que era eu, a tal pessoa especial. Fiz de tudo pra que você também sentisse, que era eu e mais ninguém. Fui inteligente, fui linda, fui magra, engraçada, fui triste, fiz charme, fui forte, fui frágil, fui alegre, de bem com a vida, meiga, gentil, fui grossa, alta, esperta, fui sonsa, loira, ruiva,morena. 
Contei piadas, cantei tragédias,liguei, não atendi, fiz poemas e não mandei, mandei poemas que não fiz. Escutei músicas que gostava, gostei das músicas que ouvi, desgostei, comentei, calei. Fui a mais ousada, a mais tímida, a mais tua, a única.
Falei de sentimentos, fingi que não sentia. Te mostrei os meus ritmos, entrei na tua dança. Quis você todos os dias, esnobei tua presença. Fui a mais menina, a mais mulher, fui companheira, amiga , fiel conselheira, fui presente, distante,te contei meus segredos, neguei meus abraços. Fui burra. Fiz de tudo pra ser tudo o que sempre quis, de todas as formas, de todos os jeitos. 
Ouvi dizer que me amava, quando já não me importava. 
"Queria poder te contar tudo. Todos meus sonhos. Todo meu passado. Tudo que eu penso a noite antes de dormir. Tudo que chorei, ri, inspirei. E também te ouvir. Sentir seu sentimento. Aprender a te fazer sorrir, sempre. Só poder te ver chegando todo dia, com seu jeito tão certo de existir. Correr meus dedos pelos seus cabelos, e improvisá-los por cima da sua orelha, enquanto vejo seu olhar e o som da sua voz macia me contando suas coisas complicadas.. Gastar todo meu tempo tentando te fazer sentir tão bem quanto eu, só de te ter por perto."

domingo, 25 de outubro de 2009

Olha

não sei bem ao certo o que escrever no meu primeiro post.
Estou morrendo de sono, em um fim de tarde de domingo.
Preocupações na cabeça: várias
Não sei o quanto, mas sinto uma nostalgia pertubardora.
Vontade de voltar atrás, de ter aproveitado a madrugada, de ter fugido pra longe, longe de todos, de tudo, de ter ficado só com ele. O cheiro dele, que gruda na minha pele e insiste em me fazer sonhar acordada todas as vezes que respiro. Como eu queria ter olhado um pouco mais em seus olhos, que com uma eficiência perfeita consegue falar tudo o que a boca tenta esconder.
Isso me consome, me suga, me leva, pra longe; em algum lugar dentro de mim que até eu mesma desconheço. Agora, a única coisa que me resta a fazer é esperar.
Esperar até a próxima noite livre, onde eu poderei sair de dentro de mim de novo, deixar minha pele, para poder amar outra vez.