Já que o mês é propício ao aparecimento de doenças sem
explicação clínica coerente, seguirei clamando morte ao calor desgraçado. Os
anticorpos entram em recesso coletivo aos verões.
Já que estamos no tempo das lembranças sentimentais, continuarei a sentir falta
das coisinhas, e continuarei a observar as luzinhas que preenchem a cidade.
Em dezembro acontece algo cósmico e o vazio esvazia mais alguns centímetros cúbicos.
Deixarei as pendências todas para o ano que vem e celebrarei esses dias que
faltam com a resignação dos que se enganam facilmente. E eu não tenho plano
nenhum para o ano de dois mil e dez.
Mentira.
Tudo bem se no novo ano eu continuar orgulhosa demais, ciumenta demais, insone
demais e rindo das desgraças: desgraças são amigas e fazem rir.
Sinceramente, eu espero que continue tudo igual. E não menos sinceramente,
espero que tudo mude. Que venha o inusitado, o tal feliz ano novo que faz tanta
gente se juntar, sair por aí abraçando aleatoriamente e estourar fogos a cada
365 dias.
Então, é só isso. eu não vou falar dos meus planos, dos arrependimentos, do
amor, da política que é mesmo uma merda, e lá pelo meio de janeiro eu vou tar
pouco me fudendo se o seu ano vai ser próspero.
Olá, 2010. essa sou eu. - aliás, tente não trazer surpresas demais, certo? você
sabe como costumo não lidar bem com elas quando elas são muito grandes, então
só avise antes do baque. e fique tranqüilo, você será recebido com foguetes.
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